RECOMPOSIÇÃO DA APRENDIZAGEM DE ALUNOS QUE NÃO FORAM ALFABETIZADOS NO 1° ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL I
A recomposição da
aprendizagem é um processo educacional que visa corrigir lacunas no
aprendizado dos alunos, garantindo que eles adquiram as habilidades e os
conhecimentos fundamentais necessários para avançar em sua formação.
A recomposição da
aprendizagem tem como objetivos: Identificar defasagens específicas no
aprendizado; Planejar estratégias e intervenções pedagógicas para superar essas
defasagens; Assegurar que os alunos retomem o ritmo de aprendizado adequado,
alcançando os marcos esperados de cada etapa educacional.
No 2º ano do
Ensino Fundamental I, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), o foco está na consolidação do processo de alfabetização iniciado no 1º
ano. Este período é dedicado a fortalecer as habilidades de leitura e escrita,
garantindo que os alunos compreendam plenamente o sistema alfabético e avancem
na fluência da leitura e na produção de textos mais complexos.
Adotar estratégias
com uma abordagem sistemática e estruturada para o ensino da leitura e da
escrita, com foco na relação entre letras (grafemas) e sons (fonemas), pode
auxiliar no preenchimento das lacunas deixadas no 1º ano, que dificultaram aos
alunos o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.
A BNCC propõe que o
1º ano seja o início formal do processo de alfabetização, que deve ser
concluído, preferencialmente, até o final do 2º ano do Ensino Fundamental.
Nesse período,
espera-se que os alunos reconheçam as letras e as associam aos sons
correspondentes, leiam palavras simples e pequenas frases com apoio, e escrevam
palavras e frases curtas utilizando o alfabeto e a segmentação básica.
Sendo assim a recomposição da aprendizagem visa preencher as lacunas persistentes que podem gerar desmotivação nos alunos, levando ao abandono escolar e corrigir defasagens, mantendo os alunos engajados e motivados a continuar seus estudos.
RECOMPOSIÇÃO DA
APRENDIZAGEM NA ALFABETIZAÇÃO COM FOCO NA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA
Começar a
recomposição da aprendizagem na alfabetização pela introdução à consciência
fonológica é fundamental porque essa habilidade é a base para o
desenvolvimento da leitura e escrita.
De acordo com o
pesquisador Arthur Gomes de Morais a consciência fonológica é um conjunto de
habilidades variadas e que variam quanto à operação mental que o aprendiz
realiza: pronunciar um a um os segmentos que compõem a palavra, contar,
identificar ou produzir “partes sonoras” parecidas, adicionar ou subtrair
segmentos sonoros.
A consciência
fonológica refere-se à capacidade de identificar, segmentar e manipular os
sons da fala (fonemas) e exerce uma função fundamental na compreensão do
sistema de escrita alfabética.
A consciência
fonológica promove uma preparação cognitiva para decodificação,
pois antes de associar letras a sons (relação grafema-fonema), as
crianças precisam compreender que as palavras são formadas por sons menores
(fonemas).
Sem a consciência
fonológica, a criança pode ter dificuldade em decodificar palavras, pois
não entende que os sons formam a base do sistema alfabético.
Na leitura, a consciência
fonológica ajuda as crianças a decodificar palavras novas ao juntar os sons das
letras em sequências.
Na escrita, a consciência
fonológica permite que os alunos segmentem os sons que ouvem em palavras e os
representem com letras.
Crianças com
dificuldades de leitura, como a dislexia, frequentemente apresentam déficits na
consciência fonológica.
Trabalhar essa
habilidade no início pode ajudar a identificar e intervir precocemente em
possíveis desafios, reduzindo as dificuldades futuras.
Para tornar o aprendizado
significativo, é importante utilizar palavras e contextos familiares às
crianças, conectando os conteúdos escolares ao seu cotidiano.
Além disso, o progresso dos alunos deve ser avaliado regularmente por meio de atividades práticas, permitindo ao professor identificar avanços e lacunas no aprendizado.
5 ESTRATÉGIAS PARA A
RECOMPOSIÇÃO DA APRENDIZAGEM NA ALFABETIZAÇÃO
1- Trabalhar a
consciência fonológica:
- Atividades de rima: Identificar palavras que
rimam, como "cão" e "pão".
- Segmentação de sílabas: Bater palmas ou
levantar um dedo para cada sílaba das palavras.
- Reconhecimento
de sons iniciais e finais: Identificar o som inicial de "bola"
(/b/) ou o som final de "gato" (/o/).
2. Ensinar a Relação
Grafema-Fonema (Correspondência grafofonêmica)
- Apresente as letras (grafemas) e os sons
correspondentes (fonemas) de forma explícita e gradual. Comece com as
vogais e consoantes mais frequentes na língua.
- Associe
cada letra a imagens ou palavras conhecidas (e.g., a letra "b"
com a imagem de uma "bola").
Exemplo prático:
Primeiro mostre a letra "b" escrita no quadro; Em seguida
produza o som /b/ e peça aos alunos que repitam e finalizem fazendo a relação
do som com uma palavra, como "bola".
Ensine os alunos a
combinar os sons das letras para formar palavras:
- Comece com palavras simples, como
"ba", "bo", "bu".
- Prossiga para palavras completas, como
"bala", "bota", "bolo".
- Incentive
os alunos a "soar" cada letra e depois unir os sons (e.g., /b/ +
/o/ + /l/ + /o/ = "bolo").
Exemplo prático:
Comece com as combinações mais simples de letras e sons, e avance para padrões
mais complexos:
Palavras regulares: "casa", "mesa".
Palavras com dígrafos: "chave", "prato".
Palavras com encontros consonantais: "flor",
"trem".
4. Exercícios de Leitura
e Escrita
·
Leitura: Apresente palavras ou frases curtas para os alunos lerem. Use
materiais visuais, como cartões com palavras e figuras correspondentes.
· Escrita: Peça aos alunos que escrevam palavras simples, começando
com aquelas que já aprenderam.
Exemplo prático: Utilize
palavras estáveis para fornecer embasamento silábico:
1. Escreva a palavra estável no quadro.
2. Pergunte: "Qual som (sílaba ou letra) ouvimos primeiro? Qual é a
letra/sílaba que faz esse som? Qual som (sílaba ou letra) ouvimos no final?
Qual é a letra/sílaba que faz esse som?"
3. Guie os alunos a escreverem a palavra letra por letra.
4. Estimule os alunos a identificarem outras palavras que comecem e que
terminem com o mesmo som tanto da sílaba inicial e final quanto da letra
inicial e final.
5. Jogos e Atividades
Interativas
- Caça-palavras fonético: Encontre palavras
específicas em uma lista ou texto.
- Jogos de memória: Combine cartões com letras e
imagens que representem palavras iniciadas por essas letras.
- Atividades sensoriais: Formar letras com
massinha ou desenhá-las no ar para reforçar a memória visual e motora.
- Complete o quadro: Completar uma tabela analisando a quantidade de letras, sílabas, letra inicial, letra final, sílaba inicial e sílaba final.
AVALIAÇÃO DO
PROGRESSO GERAL DA TURMA
A avaliação do
progresso geral da turma é um aspecto relevante do trabalho docente, permitindo
ao professor monitorar o desenvolvimento coletivo dos alunos e ajustar o
planejamento didático sempre que necessário. Esse acompanhamento contínuo
garante que nenhum estudante fique para trás e que o conteúdo seja compreendido
de maneira uniforme por todos.
Dessa forma, o
professor consegue identificar possíveis lacunas no aprendizado e propor
intervenções pedagógicas mais eficazes e individuais.
O monitoramento pode
ser promovido por meio de observação direta durante as atividades, análise do
desempenho em exercícios orais e escritos e formulação de perguntas para
verificar a compreensão em tempo real. Essa prática ajuda o educador a captar
não apenas os avanços, mas também as dificuldades apresentadas pela turma e por
cada aluno permitindo um ensino mais direcionado e eficiente.
Além disso, a
realização de registros de progresso é uma ferramenta importante nesse
processo. O uso de fichas de acompanhamento ou portfólios possibilita
documentar o desempenho de cada aluno ao longo do tempo, criando um histórico
que auxilia no planejamento de estratégias personalizadas.
Com uma avaliação
contínua e detalhada, o professor pode promover um ensino inclusivo e garantir
que todos os alunos avancem de forma significativa em sua aprendizagem.
CONCLUSÃO
A recomposição da
aprendizagem não é apenas um reforço escolar, mas uma intervenção planejada
e estruturada para recuperar o aprendizado perdido e garantir que os alunos
progridam com sucesso em sua trajetória educacional. Ela exige diagnóstico
preciso, estratégias personalizadas e acompanhamento contínuo para alcançar
resultados eficazes.
Promover a recomposição
da aprendizagem estimulando e desenvolvendo a consciência fonológica
pode ser eficaz porque desenvolve a base para a leitura e escrita ao focar na
decodificação e compreensão dos sons da linguagem.
A consciência fonológica é especialmente útil para crianças em fase inicial de alfabetização
ou com dificuldades específicas, como a dislexia.
O progresso dos
alunos deve ser acompanhado regularmente para ajustar as estratégias e
assegurar que as lacunas estão sendo preenchidas.
Clique nos links e
baixe os arquivos de modelos de atividades e tabelas de avaliação.
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sala de aula.
BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Ministério da
Educação. Base Nacional Comum Curricular. Educação é a base. Brasília,
DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em:
11 jan. 2025.
MORAIS, Artur Gomes
de. Consciência fonológica na alfabetização. In: GLOSSÁRIO CEALE. Universidade
Federal de Minas Gerais. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/consciencia-fonologica-na-alfabetizacao. Acesso em: 11 jan.
2025.


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